Futebol Brasileiro

EXCLUSIVO: Thiago Larghi critica 'rotatividade' de técnicos no Brasil e comenta: 'Até Guardiola poderia ser questionado'

Ex-treinador de Atlético-MG e Goiás segue sem clube e já acompanhou trabalho do espanhol na Europa

Por Gabriel Menezes

Thiago Larghi segue livre no mercado(Getty Images)

Thiago Larghi segue livre no mercado | Getty Images

O espanhol Pep Guardiola é um dos treinadores de futebol mais influentes da atual geração e pode ser comparado a outros grandes nomes da história do esporte, segundo o técnico Thiago Larghi, ex-Atlético-MG. Em entrevista exclusiva à TNT Sports Brasil, o treinador brasileiro revelou como foi ter a experiência de acompanhar o trabalho do técnico do City de perto.

Larghi fez um intercâmbio na Europa em 2014 e 2021, tendo a oportunidade, recentemente, de acompanhar o trabalho de Guardiola mais de perto, assistindo jogos e conversando com a comissão técnica do catalão.

"A experiência com Pep Guardiola foram dois breves momentos, em 2014 e 2021. É um treinador muito especial. Na minha visão, Arrigo Sacchi, Rinus Michels, Zagallo, mudaram o futebol, colocaram coisas novas no jogo. Guardiola é um desses e vive no nosso tempo. Foi um prazer muito grande presenciar um pouco do trabalho dele de perto, ver jogos ao vivo e conversar com a comissão técnica, principalmente, pra entender cada vez melhor [como funciona]."

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Em relação ao que observou como principal diferença entre o futebol europeu e o brasileiro é o calendário com menos jogos e o tempo que os treinadores têm para estabelecerem seu trabalho.

"A principal diferença que vi foi a continuidade dos trabalhos que acontecem na Europa e a junção disso com a questão do calendário. Com menos jogos e maior continuidade de trabalho, você consegue implantar um modelo de jogo com mais intensidade e, mesmo rodando os jogadores, você mantém um padrão de jogo de alto nível no time."

Em relação à rotatividade de treinadores no Brasil, assunto bastante debatido nas rodas de conversa e nos programas esportivos, Larghi foi categórico ao afirmar que as trocas acabam prejudicando os trabalhos e ainda cravou que, pela cultura nacional, até técnicos renomados como Pep Guardiola ou Jürgen Klopp poderiam ser questionados no país.

"Com certeza a rotatividade prejudica o trabalho dos treinadores, o desenvolvimento do modelo de jogo e, consequentemente, o desenvolvimento dos próprios jogadores. Essa é uma dificuldade que a gente passa aqui, porque o futebol demanda tempo para conseguirmos as variações táticas, o desenvolvimento das jogadas, que os jogadores entendam e criem um padrão de time. Isso leva tempo."

Possivelmente até mesmo um Guardiola ou um Klopp, se não tivessem os resultados em curto ou médio prazo no Brasil, também seriam questionados, porque é uma questão cultural. Felizmente, isso também já vem sendo debatido. Com o tempo, a gente vai conseguindo evoluir cada vez mais, para dar mais tempo ao trabalho e o desenvolvimento para aquilo que se pretende ser alcançado."

Thiago Larghi, que chegou a ter aproveitamento superior ao de Jorge Sampaoli em seu começo de Brasileirão pelo Galo, está atualmente sem clube. Segundo o treinador, existem conversas em andamento para assumir um novo trabalho, mas ele e sua comissão técnica não têm pressa para assumir uma nova equipe, preferindo escolher uma oportunidade com uma estrutura melhor.

 
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