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Quem decidiu demitir Sylvinho agora deveria se demitir junto

Derrota para o Santos sela o destino do treinador no comando do Corinthians apenas três jogos após o início da temporada

Por Vitor Sérgio Rodrigues

O clima ficou insustentável, mas esse cenário já era percebido no ano passado

O clima ficou insustentável, mas esse cenário já era percebido no ano passado

Demitir Sylvinho no contexto atual do Corinthians é mole. Fácil, fácil. O treinador, em início de carreira, tomou decisões confusas desde a reta final do Brasileirão, apresentou uma equipe que mostrou uma grande irregularidade, não conseguiu fazer o time evoluir mesmo recebendo excelentes jogadores, deu declarações que contrariavam o que se via em campo e não tinha o apoio da torcida. Aliás, os coros agressivos vindos da arquibancada na derrota por 2 a 1 para o Santos, em casa, selaram de vez a degola, anunciada após o jogo pelo presidente Duílio Monteiro Alves. A questão é procurar, dentro do Corinthians, quem terá a hombridade de assumir essa culpa.

Tudo que foi diagnosticado no primeiro parágrafo deste texto já era realidade no início de dezembro, quando terminou o Brasileirão. Esse cenário já era claramente sabido e mesmo assim quem decide o rumo do departamento de futebol do Corinthians decidiu bancar Sylvinho. Esse é o fato! Quem comanda o futebol de um dos maiores clubes do Brasil analisou a questão e entendeu que o trabalho de Sylvinho devia seguir. Pré-temporada realizada e três jogos depois, o Corinthians decide que este é o momento de uma "correção de rota", como dito pelo presidente.

O mínimo que se espera de alguém que comande o departamento de futebol de um clube como o Corinthians era, de fato, demitir Sylvinho. Mas logo em seguida ter a lisura de se demitir. Pois só alguém muito incompetente pode achar que o "bancar" um treinador e demití-lo três jogos depois é algo aceitável. Não é. Ainda mais considerando que não houve mudança no dia-a-dia e nos jogos em relação à reta final do Brasileirão. Na prática, o que o Corinthians fez foi jogar uma pré-temporada de 15 dias fora porque um ou dois dirigentes quiseram brincar de bancar um profissional.

Demitir Sylvinho hoje é muito fácil para qualquer dirigente. Ter a auto-crítica de que foi tão incompetente quanto Sylvinho e sair pela mesma porta é coisa para poucos. No futebol brasileiro, eu diria que para ninguém.

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