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Futebol não se explica, se sente

No Camp Nou, jogo das quartas da Champions Feminina bate recorde de público mundial na modalidade

Por Tayna Fiori

Público do El Clásico feminino foi o maior do Camp Nou na temporada(Getty Images)

Público do El Clásico feminino foi o maior do Camp Nou na temporada | Getty Images

Como você explica o futebol para quem vive dele? Como você explica momentos históricos para quem já registrou ou viveu vários? Acho que isso aí é até fácil, mas como explicar para quem não vive e não acompanha? Tem coisas que só imagens ou a presença no local podem te contar. 

Imagina você estar na tarde de uma quarta-feira em um Camp Nou lotado para assistir a um Barcelona x Real Madrid, um El Clásico, que sempre é jogo grande, né? Mas dessa vez essa partida é diferente, ela é uma marca nova e ela te prova um crescimento do futebol feminino mundial. É, você nem precisa imaginar, porque isso aconteceu.

Quando comecei no futebol, oficialmente como estudante em 2019, logo já comecei nas coberturas do feminino. Aquele ano já havia sido histórico, eu já havia tido um crescimento absurdo do futebol feminino e imensos registros em uma Copa do Mundo. Mas, quem vive disso sabia que ali não era o fim e sim o início de algo. 

Como você explica esse sentimento para alguém? Acompanhar 91.553 torcedores em um jogo do futebol feminino, mesmo de longe, embaça a vista com lágrimas, faz você se arrepiar e não saber se quer gritar de felicidade ou de exaustão por ter lutado tanto por aquilo e finalmente ter chegado.

Viver o futebol realmente é uma aventura, realmente é cansativo e você precisa doar de alguma maneira sua vida, ou parte dela, a ele. Mas viver de futebol é inesquecível e inexplicável, não tem como dizer o que vai acontecer, nada é previsível e nada é impossível. 

Quem viveu Barcelona x Real Madrid nas quartas da Champions Feminina foi tocado e mudado de alguma maneira, mas isso acontece todo dia com quem vive o futebol feminino em si. Foi com ele que eu entendi o “nunca será só futebol” e é com ele que eu sigo.

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