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Brasil na Nations League enterraria as Eliminatórias de 18 rodadas na América do Sul

O entendimento da Uefa e da Conmebol para que as seleções sul-americanas disputem a Nations League a partir de 2024 vai mudar o sistema das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2026

Por Vitor Sérgio Rodrigues

Photo by Mike Hewitt/Getty Images

Photo by Mike Hewitt/Getty Images

A informação de que as seleções sul-americanas devem disputar a Uefa Nations League a partida da edição 2024/25 sacudiu o futebol mundial nesta sexta-feira, a partir da declaração de um dos vice-presidentes da entidade europeia, o polonês Zbigniew Boniek. Ainda há muito o que se fazer para que de fato esse intercâmbio ocorra, inclusive com muitos desafios em relação ao calendário. Mas se a iniciativa sair do papel é certo que ela trará uma alteração significativa para as equipes da Conmebol: o fim das Eliminatórias Sul-Americanas em 18 rodadas.

A Conmebol e as dez confederações do continente já sabem que para poder participar da Nations League não é possível que o torneio que define os classificados para a Copa do Mundo demore tanto. As 18 rodadas das eliminatórias, formato utilizado desde a Copa do Mundo de 1998, trouxe um valor significativo de dinheiro, mas atualmente é percebido como algo que engessa o calendário das seleções. As paralisações por conta da pandemia só escancararam isso.

Assim, será do fim das Eliminatórias em 18 rodadas que a Conmebol vai tirar seis ou oito datas para que as seleções sul-americanas possam disputar a Nations League. A medida é vista como salutar para permitir a disputa da Nations, eventuais amistosos na Europa e também porque para a Copa de 2026 a América do Sul deve ter 6,5 vagas no Mundial. Ninguém quer jogar 18 vezes para classificar 70% das seleções para o torneio.

Oficialmente, essa aproximação da Uefa e da Conmebol é citada como "uma união em busca de um desenvolvimento uniforme do futebol pelo mundo". Mas, nos bastidores, a ação é comemorada como uma união para enfraquecer a Fifa, principalmente a tentativa de fazer a Copa do Mundo de dois em dois anos, em vez dos tradicionais quatro anos de intervalo.

Algumas publicações importantes da Europa repercutiram a notícia informando que os seis jogos das seleções sul-americanas seriam disputadas no Velho Continente. As seleções sul-americanas já estão preparadas para jogar apenas na Europa, considerando as questões de calendário e a relação com os poderosos clubes europeus, mas o desejo delas é que possam jogar em seus países, recebendo as principais seleções europeias.

Ainda são muitas coisas a serem definidas, como número de seleções na Liga A da Nations, fórmula de disputa, como será o rebaixamento das seleções que fizerem as piores campanhas. Mas para a seleções sul-americanas, a chance de jogar contra europeus, num contexto bem mais exigente do que os amistosos (que aliás, neste ciclo de Copa praticamente acabarem por conta também da criação da Nations League) é uma vitória esportiva importante. Desde que tudo isso saia do papel.

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