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A bola é do torcedor - Atlético de Madrid 0 x 0 Manchester City

Simeone x Guardiola e o grande espetáculo do futebol.

Por Mauro Beting

Monstros

Monstros

Eu prefiro pizza amanhecida a qualquer prato da culinária francesa. Pode ser por minha avó Itália Roma (sim, era o nome dela) fazer uma pizza maravilhosa. Ou não. As pessoas comem pizza aos domingos. Não foie-gras. Não sei se é assim que se escreve. Nem meu corretor ortográfico sabe. E prefiro não comentar o que é a iguaria francesa – e muito menos como ela é feita.

Eu prefiro qualquer filme do Woody Allen ao melhor filme iraniano. Ou mesmo Ingmar Bergman. São comparáveis? Também não sei. Mas é questão de gosto. Prefiro rir a dormir. Mesmo que a seriedade me faça pensar. Ou sonhar.

Eu prefiro qualquer grande jogo dos timaços que Pep teve para dirigir desde 2008 aos títulos, conquistas e vitórias de Simeone nos melhores anos, mais ricos e com melhores jogadores da história do Atlético de Madrid.

Questão de gosto. Afinidade. E outras tantas coisas.

O que não me faz perder o respeito e mesmo admiração por tudo que Cholo já conquistou dirigindo os colchoneros. E mesmo o que de chulo ele repete no banco e o que já fazia como grande homem de meio que usava todos os meios sem palavras e sem modos para jogar bola. E jogar sujo muitas vezes dentro de campo.

Como treinador, já ganhou muito. E, mesmo quando perdeu, fez bonito. Dentro da respeitável concepção de jogo dele. Até quando apela e arrepia.

Como ele guiou o Atlético a quase devolver a justa derrota na ida em Manchester. Quando o Wanda Metropolitano ecoou o Calderón do Vicente da antiga cancha. Uma das mais flamejantes torcidas do mundo jogou junto com o Atlético no segundo tempo. Empurrou um time que foi muito acanhado na Inglaterra a ser ofensivo como necessitava em casa, na volta. Empurrando contra as cordas a melhor equipe do City. Acuada e assediada (apenas em parte do segundo tempo) por um time que pareceu demorar a entender que “si, se puede”. “Yes We Can” . A expressão na língua que quiser para um clube, um elenco, um time, um treinador que pode ser mais agressivo com a bola como é sem a pelota. Que pode atacar como se defende. Que pode vencer um treinador melhor, um adversário com ainda mais elenco e dinheiro. E com um futebol que eu gosto mais. Mas que não necessariamente é melhor. Ou maior. Ou mesmo mais vencedor.

As irônicas palmas de Cholo a Pep e seu time que jogou Libertadores mais do que Champions nos enormes minutos finais enseja simpósios. Como a belíssima festa de mais um eliminado que foi gigante também. Basta ver e ouvir a transmissão belíssima do André Henning na TNT SPORTS para sacar que, assim como Chelsea e Benfica, os que ficaram pelo caminho também ficarão na história dos grandes perdedores. Ou vencedores ao seu modo.

Como Simeone. Como Guardiola. E como é o futebol que aceita muitos tipos de jogo e de vencedores. E ainda bem que assim é.

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